No Dia de Reis, Folia de São Sebastião integra programação do Luzes da Liberdade

Evento acontece na data em que se celebram quatro anos do reconhecimento das Folias de Minas como patrimônio cultural de Minas Gerais.

 

No dia em que as Folias de Minas celebram quatro anos de reconhecimento como patrimônio cultural imaterial do Estado, foliões visitam o presépio instalado na sede do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). A apresentação acontece em 6 de janeiro (quarta-feira), Dia de Reis, das 17h às 18h, e terá a participação da Folia de São Sebastião de Fidalgo, de Pedro Leopoldo. Para evitar aglomerações e respeitar o distanciamento social causado pela pandemia, a passagem dos foliões pela sede do Iepha, na Praça da Liberdade, será transmitida pelo canal no YouTube Luzes da Liberdade. 

 

Uma das práticas culturais mais antigas e difundidas do estado, as Folias de Minas foram reconhecidas como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais em janeiro de 2017. 

 

Também denominadas ternos ou companhias, as folias são manifestações culturais-religiosas cujos grupos se estruturam a partir de sua devoção aos santos como: Reis Magos, Divino Espírito Santo, São Sebastião, São Benedito, Nossa Senhora da Conceição, entre outros. Geralmente, são formados por cantadores e tocadores, podendo apresentar personagens, como reis, palhaços e bastiões, que visitam casas de devotos distribuindo bênçãos e recolhendo donativos para variados fins. Apresentam características regionais e as indumentárias variam de grupo para grupo, podem ser encontrados foliões que utilizam trajes militares, vestes de palhaço, máscaras ou roupas comuns. Os instrumentos que conduzem os cantos são as violas, violão, cavaquinho, pandeiro, caixas e sanfonas. Possuem como um dos principais  elementos simbólicos a bandeira com imagem das divindades e se organizam a partir de ritos, como o giro ou jornada, encontros, festas e cumprimento de promessas.

 

TRADIÇÃO 

No Brasil, a tradição dos presépios alcançou contornos próprios, mas influenciados pelos hábitos e costumes europeus da representação da natividade, acompanhando as festas do ciclo natalino e, em especial, as folias criadas em honra e devoção aos santos Reis Magos. Contando com figuras de animais, pastores, casinhas, pequenas conchas e plantas, a cena de um presépio varia de acordo com os costumes do lugar.

Em Minas Gerais, o presépio está presente desde o século XVIII, com muitos desses montados nos chamados oratórios-lapinha e maquinetas (caixas envidraçadas). Os oratórios-lapinhas, típicos do estado e procedentes da região de Santa Luzia e Sabará, geralmente acolhiam cenas ligadas à natividade de Jesus.

A tradição e arte dos presépios encontram no Brasil uma de suas vertentes mais criativas, repleta de elementos sincréticos, traz as marcas da regionalidade. É neste desejo de manter a tradição cultural e religiosa que a Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP) criou há mais 48 anos o Concurso Nacional de Presépios e tem por finalidade estimular as experiências de criações contemporâneas além de resgatar o sentido poético do presépio mineiro.

PUBLICAÇÕES

 

No site do Iepha-MG estão disponíveis o documentário e o caderno que retratam as Folias de Minas. O filme, dirigido por Felipe Chimicatti e Pedro Carvalho, sob a coordenação da equipe técnica do Instituto, também está no canal do Iepha no YouTube. No documentário, mestres e foliões de diferentes devoções e de três localidades - São José da Serra em Jaboticatubas, bairro Aparecida em Belo Horizonte e o distrito de Paciência, no município de Porteirinha narram os rituais que estruturam as folias, desde o início da jornada com a visita da bandeira até a festa de encerramento.

 

A produção audiovisual e a publicação apresentam ainda elementos como o canto, a reza, os toques de instrumentos musicais, as danças, as comidas votivas e o uso de objetos sagrados, como máscaras, toalhas, fitas e a bandeira com a imagem dos santos de devoção.