Fazenda Boa Esperança é reaberta para visitação pública

Exposição abre as atividades e projeto educativo começa ainda no primeiro semestre.

Após dois anos de obras, o Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), em parceria com a APPA - Arte e Cultura, reabre a Fazenda Boa Esperança para visitação pública, com inauguração de exposição e projeto educativo. Localizada no município de Belo Vale/MG, região Central do estado, o bem cultural, tombado pelo Iepha-MG e também pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), recebeu, entre 2017 e 2018, restauração arquitetônica e estrutural em sua sede.

Uma exposição de longa duração está presente nessa primeira etapa da reabertura do espaço para a visitação pública. A mostra traz informações sobre a ocupação do território em que a Fazenda está inserida, suas características econômicas e produtivas, sua arquitetura e seu cotidiano. O altar-mor e algumas peças da capela, atribuída ao artista João Nepomuceno e, ainda, em restauração, também estarão expostos. Um convite ao visitante para conhecer parte da dinâmica do trabalho para a preservação e conservação desse importante patrimônio cultural.

A reabertura da Fazenda conta também com o programa educativo “Encontro com Educadores - Redescobrindo Sentidos”. Essa ação tem como principal objetivo construir, com educadores formais e informais, conhecimentos que potencializem as discussões e as práticas em torno da temática do patrimônio cultural. Ao final, uma visita mediada na Fazenda Boa Esperança é realizada com os participantes.

"A reabertura da Fazenda Boa Esperança possibilita que a comunidade se aproprie e usufrua de um patrimônio que é dela. O espaço também será importante para a retomada do desenvolvimento econômico da região, ao lado de outros circuitos turísticos próximos.", afirma o secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Marcelo Matte.

A reabertura da Fazenda Boa Esperança possibilita que a comunidade se aproprie e usufrua de um patrimônio que é dela. Marcelo Matte, Secretário de Cultura.

Todas as atividades foram viabilizadas pelo projeto de restauração e pelo ReFazenda, uma parceria entre o Instituto Inhotim e o Iepha-MG que permitiu que o público e as comunidades locais tivessem experiências e reflexões sobre patrimônio e políticas culturais.

Para a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, o bem cultural reaberto à visitação pública significa muito para a comunidade de Belo Vale. “É uma importante etapa para a consolidação de um projeto de apropriação e fruição dos conteúdos de patrimônio que o espaço abriga”, fala Arroyo. Ela destaca ainda o resgate simbólico da Fazenda para a comunidade. “O investimento não apenas na recuperação física do espaço, mas no projeto expositivo, educativo e receptivo para visitação possibilita a ressignificação do bem cultural. Além disso, traz a Fazenda para uma centralidade local e regional, considerando seu potencial turístico e de ocupação pelos coletivos de cultura de Belo Vale”, ressalta a presidente do Instituto.

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Lançamento da Óculo – Revista do Patrimônio Cultural

Durante o evento, será lançado o segundo volume da Óculo – Revista do Patrimônio Cultural. A publicação, em mais uma edição, traz a discussão dos desafios e experiências sobre a preservação, a salvaguarda e a promoção do patrimônio cultural. Um dos destaques dessa edição é a instigante reflexão sobre as possibilidades e as experiências em torno da Fazenda Boa Esperança, explicitando seu lugar como testemunho da arte, da história, como paisagem cultural, como território de sentidos diversos, a serviço da cultura e em benefício da comunidade.

A Fazenda Boa Esperança

Segundo registros, a construção da Fazenda Boa Esperança teria começado entre os anos de 1760 e 1780, com sua inauguração ocorrida possivelmente em 1822. Durante o período em que pertenceu a Romualdo José Monteiro de Barros, o Barão de Paraopeba, foi elemento central de um complexo produtivo que abarcava outras Fazendas, também de propriedade da família Monteiro de Barros. Além da produção agrícola, que contribuía para o abastecimento, não apenas o Vale do Paraopeba, mas, também, de Ouro Preto e de Barbacena, eram produzidos fios, roupas e ferramentas que a tornavam autossustentável. De acordo com relatos, os escravos que viveram na Fazenda e seus descendentes teriam dado origem a pequenas comunidades no entorno, entre elas a “Boa Morte” e “Chacrinha dos Pretos”.

A Fazenda Boa Esperança foi adquirida pelo Governo do Estado de Minas Gerais em 1974 e constituiu o patrimônio de fundação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais - Iepha-MG. Em 1959, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, hoje, Iphan, já havia reconhecido a propriedade como importante patrimônio histórico, realizando seu tombamento. Em 1975 coube ao Iepha-MG realizar o tombamento estadual, em busca de preservar o registro histórico do modo de vida das sociedades rurais do período colonial brasileiro.

Com a revitalização, o espaço passa a compor o circuito de equipamentos culturais da região do Vale do Paraopeba.

Histórico das obras e ocupações da Fazenda

A Fazenda foi restaurada do período de 1976 a 1979, porém sem uma definição de ocupação e uso. Houve após essa época a instalação elétrica, captando energia do arraial de Boa Morte.

Na década de 1980 foi feita parceria entre Governo e a Escola de veterinária da UFMG com o objetivo de implantar e desenvolver um centro de pesquisas de projetos do universo agrário mineiro, bem como promover a preservação do monumento. O projeto foi cancelado depois de um ano por estar degradando o entorno da sede, com instalação inadequada de pocilga junto ao córrego, apreensão ilegal de aves silvestres, entre outros.

Ainda na mesma década tentou-se dar novo uso à propriedade, com arrendamento de pequenas áreas, mas que novamente deteriorava o terreno, deixando espaços de possíveis vestígios arqueológicos destruídos.

Em 1997 firmou-se um convênio entre Iepha-MG e Instituto Metodista Izabela Hendrix, para realização do Curso de Arqueologia Histórica, objetivando realizar prospecções arqueológicas, no entorno da sede. Durante o período de 1995 a 1997, aconteceram três cursos.

Em 1998 foi feita intervenção na Fazenda, com recomposição dos muros de pedra, recuperação dos beirais da cobertura da capela, imunização preventiva, com realização de barreira química do entorno da sede, reconstituição da cobertura da sede, substituição do forro em esteira e sua pintura, substituição de parte do piso em madeira e instalação de piso de concreto em parte de cômodos que eram em terra batida.

Desde então, vêm sendo realizadas ações pontuais de recuperação de partes deterioradas, sem intervenções mais abrangentes, sem uso específico do espaço.

Serviço

Reabertura da Fazenda Boa Esperança

Local: Fazenda Boa Esperança - Belo Vale/MG

Data: 31 de maio (sexta-feira)

Horário: 10h

 

Informações para a imprensa:

 

Iepha-MG

Leandro Henrique Cardoso       

leandro.cardoso@iepha.mg.gov.br

(31)3235-2812

APPA –Arte e Cultura

comunicacao@appa.art.br

(31) 3224-1919 | Ramal 17

Daniel Moreira - daniel.moreira@appa.art.br
Carolina Silva -
carolina.silva@appa.art.br | Ygor Cristiano - ygor.cristiano@appa.art.br

Informações para o público:
(31) 3224-1919 | www.appa.art.br


Programação:

10h - Ritual de Entrada das Comunidades de Chacrinha e Boa Morte

10h30 - Café de boas-vindas (mesa de quitutes e quitandas feitos pelas comunidades)

11h - Coral Cantantes do Vale

1130 - Fala de autoridades (Secretário de Cultura Marcelo Matte, presidente do Iepha/MG e prefeito de Belo Vale)

12h - Visita livre à exposição