Santa Luzia está em festa com dois momentos de preservação do seu patrimônio

Município da região metropolitana de BH celebra os 240 anos do Santuário, bem tombado pelo Iepha-MG

A cidade de Santa Luzia, região metropolitana de BH, comemora dois momentos especiais na preservação de seu acervo patrimonial nessa semana. Na noite de 28/11, a cerimônia que abriu os festejos do Jubileu 2018, dedicado à padroeira Santa Luzia, lembrou os 240 anos do término da construção do santuário dedicado à protetora dos olhos - a virgem-mártir italiana que dá nome à localidade desde o século 18. Já no dia 02/12, a festa continua, dessa vez, no Mosteiro de Macaúbas com a reentronização das imagens do Sagrado Coração de Jesus, a segunda que chegou a Minas no século 19, e de Nossa Senhora do Rosário, que voltam aos altares após processo de restauração.

 

Santa Luzia

Implantada no alto de uma colina nas primeiras décadas do século 18, o templo dedicado a Santa Luzia foi o primeiro com essa invocação em Minas Gerais e é um dos santuários mais tradicionais do estado, sendo um dos pontos mais antigos de peregrinação de romeiros do país. A riqueza de sua arte barroca presente nos altares e nos forros motivou o seu tombamento pelo Iepha-MG, em 1976.

De acordo com o pesquisador Edelweiss Teixeira (1909-1986), desde 1729 já funcionava a capela de Santa Luzia, mas somente em 1748 foi dada a autorização do bispado de Mariana para a criação da Irmandade de Santa Luzia. A bênção da então igreja matriz, localizada na rua mais importante do arraial – a Rua Direita – aconteceu no dia 13 de dezembro de 1778. “A minha palavra é para expressar o reconhecimento da cultura de todas as mineiras e de todos os mineiros diante da importância histórica da cidade de Santa Luzia e deste marco de cultura e fé que é o seu santuário”, disse o secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, que foi o orador oficial da cerimônia.

O Santuário de Santa Luzia foi o oitavo bem cultural protegido pelo Iepha-MG, após a aprovação do decreto de tombamento em 09 de março de 1976, determinando a sua inscrição no livro de Tombo de Belas Artes. Segundo o Guia dos Bens Tombados Iepha-MG, as características estilísticas dos altares, são sete ao todo, foram elaborados em duas etapas sequenciais: a primeira, entre os anos de 1745 e 1765, compreendendo a capela-mor e os altares laterais próximos ao arco-cruzeiro, que apresentam o estilo D. João V – também conhecido por estilo Brito por ter sido introduzido em Minas por Francisco Xavier de Brito. A segunda fase, incluindo as pinturas dos forros, foi realizada entre os anos de 1780 e 1820.

A celebração, que representa o início da trezena – são treze dias de orações até o dia da padroeira – teve a participação do vigário episcopal para as cidades históricas, padre Wellington Santos, do pároco de Santa Luzia, Felipe Lemos de Queirós, do secretário municipal de Cultura, Ulisses Brasileiro, das monjas concepcionistas do Mosteiro de Macaúbas, e de representantes da Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia, que restaurou integralmente o templo há 26 anos com apoio da comunidade.

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Cidade de Santa Luzia   Foto: Izabel Chumbinho

Mosteiro de Macaúbas

Localizado na zona rural de Santa Luzia, o Mosteiro de Macaúbas é um dos maiores patrimônios culturais em extensão, totalizando mais de 11 mil metros quadrados de construção. Contando com mais de trezentos anos de trajetória, seu primeiro funcionamento foi com recolhimento feminino, o primeiro das Minas Gerais.

Em relação ao funcionamento institucional, o atual Mosteiro passou por diferentes fases desde o início de sua construção. Em 12 de agosto de 1714, às margens do Rio das Velhas e do Rio Vermelho, o ermitão Félix da Costa iniciou a construção da ermida primitiva e da casa das recolhidas, após passar cerca de quatro anos percorrendo vilas e arraiais de Minas Gerais, com seu oratório de esmoler ao pescoço, em busca de donativos que financiassem a construção. O recolhimento, que recebia exclusivamente pessoas do sexo feminino, dividiu o espaço, a partir de 1847, com atividades do Colégio de Macaúbas. O Colégio e o recolhimento vigoraram até o final da década de 1920, quando foi iniciado o processo de incorporação das recolhidas à Ordem da Imaculada Conceição. Em 30 de abril de 1933, o antigo Recolhimento transformou-se em Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Macaúbas, ligado à Ordem da Imaculada Conceição, fundada na Espanha em 1484. Todo o complexo, que inclui o seu acervo, foi protegido pelo Iepha-MG em 1978.

A capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Mosteiro, apresenta três retábulos que foram construídos em seis meses, após assinatura de um contrato com o empreiteiro Manuel Antônio Azevedo Peixoto no ano de 1767.  Um dos altares laterais, que tem em seu medalhão superior a imagem do Rosário vai receber as duas imagens que foram restauradas como parte da campanha Abrace Macaúbas. A imagem do Sagrado Coração de Jesus, que foi a segunda desta invocação que chegou a Minas Gerais no século 19, teve a sua restauração patrocinada por uma devota e amiga do mosteiro. A imagem de Nossa Senhora do Rosário foi restaurada pelo Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais da Escola de Belas Artes da UFMG.

O Iepha-MG apoia a campanha Abrace Macaúbas que objetiva angariar recursos para uma série de ações necessárias e urgentes para a preservação do Mosteiro de Macaúbas. Entre as principais obras enumeradas para a campanha estão a substituição do defasado sistema elétrico, a desinfestação de cupins presentes em todo o prédio, a restauração dos elementos artísticos (nunca restaurados) e a organização e catalogação de toda a documentação, todos protegidos por atos de proteção nas instâncias federal, estadual e municipal. Todas as ações serão acompanhadas pela 6ª Promotoria de Justiça da Comarca de Santa Luzia e fiscalizadas pela Comissão Técnica constituída pelos órgãos de proteção.

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Mosteiro de Macaúbas em Santa Luzia   Foto: Izabel Chumbinho