O Conjunto Urbano Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas foi declarado patrimônio cultural material do Estado de Minas Gerais nesta sexta-feira (10), durante a 1ª Reunião Ordinária de 2026 do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (CONEP). A reunião foi realizada de forma híbrida, com participação presencial no município e transmissão on-line pelo canal do IEPHA-MG no YouTube.
A decisão foi tomada com base em dossiê técnico elaborado pelo IEPHA-MG, que destaca a relevância histórica das águas termais para a formação e o desenvolvimento urbano de Poços de Caldas. A origem da cidade está diretamente ligada ao termalismo desde o século XVIII e, a partir da abertura dos primeiros poços, em 1826, consolidou-se como estância de saúde, lazer e turismo. Esse processo resultou em um modelo urbano planejado, que integrou edificações monumentais, praças, parques, fontes e equipamentos públicos à paisagem natural.
Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, o reconhecimento evidencia uma característica única do município. “Poços de Caldas é um caso singular no Brasil: uma cidade que se estruturou e se desenvolveu a partir de um complexo hidrotermal e hoteleiro, onde arquitetura, paisagem e vocação turística nasceram de forma integrada. O tombamento reconhece essa identidade construída em torno das águas termais e dos equipamentos que deram origem à vida urbana local. Ao proteger esse conjunto, preservamos não apenas edificações, mas uma forma de organização do território que faz de Poços de Caldas uma referência histórica de turismo, saúde e cultura em Minas Gerais”, ressalta.
O conjunto tombado reúne bens representativos de diferentes períodos históricos, com destaque para a fase de maior expansão urbana entre as décadas de 1930 e 1940. Entre os marcos desse período estão o Palace Hotel, o Palace Cassino, as Thermas Antônio Carlos, o Parque José Affonso Junqueira e a Praça Pedro Sanches. A proteção também abrange praças, parques, monumentos, fontes, coretos, elementos artísticos integrados, trechos de ribeirões urbanos e áreas de entorno, com diretrizes voltadas à preservação da ambiência urbana e da paisagem cultural.
“Em Minas, cidades como Poços de Caldas se afirmam como verdadeiros boulevards de saúde, do bem estar, do turismo e do patrimônio, e o tombamento do Conjunto Urbano Hidrotermal e Hoteleiro reforça esse caminho ao reconhecer, proteger e valorizar um território onde história, águas termais e vida urbana se entrelaçam. Mais do que um instrumento legal, o tombamento consolida a importância do patrimônio como base para o desenvolvimento sustentável, garantindo que a cultura, a memória e a vocação terapêutica da cidade permaneçam vivas e acessíveis para as futuras gerações de Minas Gerais”, acrescenta o presidente do IEPHA-MG, Paulo Roberto do Nascimento Meireles.